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O futuro da medicina é digital, colaborativo e personalizado

A AMIES,  Associação dos Mantenedores Independentes Educadores do Ensino Superior, baseada em experiências internacionais, apresentou um interessante estudo sobre práticas inovadoras na educação médica. A análise, publicada em seu site, demonstra que a medicina moderna está evoluindo rapidamente em razão de  tecnologias e abordagens de ensino que moldam novos médicos em todo o mundo. Faz também um apelo para que as  escolas de medicina preparem seus estudantes não só para as práticas tradicionais, mas também para trabalhar com a inovação tecnológica.


Práticas ainda pouco desenvolvidas no Brasil


Uma prática citada no documento da AMIES são as parcerias entre faculdades de medicina e empresas de biotecnologia para projetos de inovação clínica.


Essa colaboração parece ser um dos projetos mais promissores para a inovação na área da saúde. São parcerias estratégicas com startups e grandes corporações de biotecnologia para integrar a inovação clínica diretamente no currículo médico, de maneira que os alunos trabalham em projetos de inovação ao lado de engenheiros, cientistas e empreendedores que desenvolvem novas tecnologias médicas. Os estudantes praticam a medicina e passam a compreender melhor o processo de criação e validação das novas tecnologias, ficando mais capacitados para desenvolver as soluções para problemas médicos complexos.


Na visão da AMIES, com o crescimento do setor de startups de saúde e biotecnologia no país, há um grande potencial para que faculdades de medicina adotem um modelo semelhante.


A clínica de saúde digital é outra inovação que vem sendo inserida  em importantes instituições pelo mundo. O modelo parte do pressuposto da necessidade do atendimento médico remoto, que surgiu em especial durante a pandemia de COVID-19, acelerou o desenvolvimento da telemedicina e de plataformas digitais para o gerenciamento de pacientes.


O projeto funciona em espaços dentro das faculdades de medicina, onde os alunos aprendem a gerenciar o cuidado dos pacientes usando ferramentas de saúde digital avançadas. Ali, os estudantes também aprendem – e não só na teoria - a usar plataformas de telemedicina para consultas virtuais, diagnóstico remoto e monitoramento à distância  de condições crônicas.


Lembrando que a norma que regulamenta a telessaúde, que engloba a telemedicina, foi  sancionada no Brasil no dia 28 de dezembro de 2022.


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Pois bem, outra inovação de grande interesse é a imersão em realidade mista para procedimentos cirúrgicos  – uma combinação de realidade aumentada (RA) e realidade virtual (RV). O fato de se combinar dois ambientes - digital e real – tem o potencial de tornar a aprendizagem mais concreta e situada. A RA, por meio de seus objetos digitais 3D de múltiplas perspectivas, pode oferecer excelente suporte e interações técnicas durante o ensino.


No Brasil, de acordo com o documento da AMIES, a realidade aumentada e virtual ainda está em seus estágios iniciais de adoção nas faculdades de medicina. O alerta para os gestores da área é o de que a implementação de laboratórios de realidade mista poderia acelerar a formação de cirurgiões altamente capacitados, especialmente em áreas onde o acesso a tecnologias avançadas é limitado.


A RA, por exemplo, oferece oportunidades de aprendizagem realmente imersivas. Sua interface permite que os usuários vejam o mundo real ao mesmo tempo que as imagens virtuais anexadas a locais e objetos reais; ela possui recursos específicos quando comparadas a outras tecnologias, o que a torna uma ferramenta altamente promissora.


Dentro dessa prática de vanguarda, podemos inserir o aprendizado  de anatomia com Realidade Aumentada, conhecida como HoloAnatomy, que pode reduzir a dependência de cadáveres para o ensino de anatomia, o que é um aspecto positivo do ponto de vista ético e logístico.


E vale dizer que, ainda que para alguns teóricos a dissecção de corpo inteiro deva ser reservada para estudantes de medicina, especialmente na carreira cirúrgica, a anatomia moderna comporta combinar vários recursos pedagógicos complementares.


O uso de big data e machine learning no diagnóstico personalizado também é uma grande inovação no ensino médico. Afinal, os alunos de medicina precisam ser capacitados a analisar grandes volumes de dados clínicos e genômicos para aprimorar o diagnóstico e tratamento de doenças complexas.


Contextualizando, a análise de dados genômicos envolve o uso de várias tecnologias para identificar padrões e tendências em dados genéticos, como, além das ferramentas para big data e machine learning, ferramentas de bioinformática, software estatístico,  tecnologia de sequenciamento e ferramentas de visualização. Nesse tema, volume de dados e privacidade são dois dos desafios mais importantes.


De fato, o interessante é que os alunos sejam treinados para entender os princípios básicos da inteligência artificial e como ela é integrada à prática médica diária. Isso envolve não só a análise de dados, mas também a ética do uso de IA em cuidados de saúde; afinal, deve ser usada de forma segura e responsável.


No e-book apresentado pela AMIES foi publicado um caso real de uso de big data e machine learning no ensino médico com  excelentes resultados, especialmente no campo do diagnóstico de doenças raras e no tratamento de condições crônicas complexas, como câncer e doenças cardiovasculares. Trata-se de um estudo conduzido em Oxford, com alunos treinados em machine learning que foram capazes de identificar precocemente sinais de câncer de pulmão com uma precisão significativamente maior do que os métodos tradicionais de diagnóstico por imagem.


O uso de machine learning também conduz a uma personalização do tratamento de pacientes, permitindo que as intervenções médicas sejam feitas com base em dados individuais, como informações genômicas e respostas a medicamentos. O resultado, claro, são tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais.


A este respeito, embora as duas técnicas – o uso de big data e machine learning na saúde – estejam sendo incrementadas no país, não estão incorporadas de forma ampla ao currículo das faculdades de medicina. E as instituições de ensino podem se beneficiar grandemente ao adota-las, pois seus futuros médicos serão capazes de usar tecnologias avançadas para melhorar o diagnóstico e o tratamento de pacientes em um sistema de saúde que tende ser  mais digitalizado.


A conclusão é que as inovações aqui discutidas representam o futuro da educação médica. 


A crise gerada pela pandemia atingiu obviamente a área educacional, o que forjou várias experiências em ambientes virtuais, em todo o mundo.  O Conselho Nacional de Educação à época, devido às circunstâncias, viu-se, inclusive, na necessidade de citar o uso de simulações no Parecer CNE/CP 05, de abril de 2020. Já em julho, no Parecer CNE/CP 11, mencionou os laboratórios virtuais. Foram referências importantes, em áreas bastante conservadoras.


No caso da medicina em particular, seu futuro, nos termos do texto   Práticas Inovadoras na Educação Médica: Conheça 5 experiências internacionais” é “digital, colaborativo e personalizado” e essas inovações irão abrir o caminho para uma nova era de cuidados de saúde. Cabe aos gestores educacionais acompanhar e aderir ao processo.


O material do estudo está consubstanciado em um e-book e pode ser consultado neste link.

 

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